26 setembro, 2012


Eu ainda queria escrever sobre você. Eu ainda queria mergulhar naquela cabeça escura e confusa, mas que, a meu ver, não havia nada tão confuso que eu não pudesse desvendar. Mas ainda que eu escrevesse sobre você, o que há para escrever mais? Afinal, todos já sabem que eu desejo. Talvez até você saiba também. E eu deveria mudar os clichês. Então decidi ir a uma cafeteria, porque nada melhor pra pensar que um bom café. Decidi que me daria um tempo. Que escreveria sobre qualquer outra coisa que não fosse você. Mas ao entrar na cafeteria, perdi esse pensamento, porque sem sombra de duvida tudo ali era feito de você. Desde a musica até os quadros nas paredes. Tudo conspirando para que eu escrevesse sobre você. Até mesmo o café foi meu traidor hoje. De qualquer forma, algum dia quando entrar naquele café, espero que lembre-se de minha pessoa. E tente imaginar como eu estava quando escrevia, ou pergunte a moça do balcão, ela me fitava em períodos irregulares.

25 setembro, 2012

"Me renda, como eu me rendi" Escutei Clarice

"A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda." Pois bem Caio, se não me falha a memória continua a relatar que choras, porque chorar seria sem sentido e o momento agora era para se fazer qualquer coisa sem sentido. Se me permite uso o seu argumento a meu favor. Uma vez que perdi totalmente. E ela ganhou. Eu resisti até o ultimo segundo, mas quando se tem o psíquico ao teu dispor, se torna extremamente complicado ser vencida. Logo, eu malícia, sou poeta, eu caótica, sou dela. Mas ambos são quase a mesma coisa.

Espero tua resposta


Escreverei hoje de uma maneira diferente do habitual. Dirigirei-me diretamente a ti Ruiva. Sem hesitações. Fugirei daquela velha historia de escrever sobre seus efeitos. Ouso perguntar se não gostaria de um café agora? Acabei de fazer, tem um bom aroma. Sigo a linha do raciocínio, mas não há lógica no que estou fazendo, o máximo que faço agora, é reunir forças para implorar-lhe algo em resposta disso. Mas o que é isso? Não sei ao certo. Ruiva, minha desejada Ruiva, estou a espera de "algo a mais", mas ou estou cega com teus feitos e não percebo tua resposta, ou estas cegas com outros atos e não percebe minhas suplicas. Agora me responda Ruiva, é a poesia o problema ou será que é somente o jogo? Digo que sabes brincar com o inconsciente, eu mesma já ouvi historias. Nossa como eu preciso de um cigarro agora. Minha cama esta bem gelada e minha cabeça esta girando. Um cigarro acompanhado. Por você. Era tudo o que eu precisava agora.

Café e cigarros.



Eu ainda vou tomar um bom café na 3 Bateman Street, W1. Ela vai me olhar e dizer "Finalmente estamos aqui", vai acender um cigarro e eu estarei acabando o meu. Depois de um tempo andando pela Bateman Street vamos avistar a placa Milkbar, eu vou puxa-la correndo para dentro, nos sentaremos na janela, para ver o movimento. Vou pedir um café com capuccino com chantilly e ela vai pedir um expresso, porque café não pode ter frescura, tem que ser só café. Vamos pedir alguns bolinhos, mas não comeremos metade. Vou te olhar e encontrar a Ruiva sobre a qual hoje escrevo, a Ruiva que ainda não me pertence. O mesmo cabelo, os mesmos olhos e o mesmo sorriso, mas com uma diferença, lá será tudo meu.

Eis que escuto Clarice "Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária." e abro um sorriso, porque ela é toda revolta. Ela é toda anti-sociedade e, por esses e outros motivos, acredito que ela seja a Ruiva que me inspira.




Nos sentamos na mesa numero 13, não que eu tenha influenciado na escolha, mas digamos que eu a conduzi. Nos observamos por alguns minutos e então começamos a conversar, sobre tudo sobre nada, sobre indiretas e a falta delas e, principalmente, sobre como fomos parar ali sentadas aquela mesa. Afinal, por pura coincidência estávamos no mesmo lugar, na mesma hora. Então ela me pediu para 'escreve-la', demorei um certo tempo até entender que ela queria que eu escrevesse sobre ela. Nunca antes havia recebido tal convite, por tanto aceitei. Fiz um sinal de aspas com a mão para que ela soubesse que começara. ''Já percebeu os olhos castanhos que tem aquela menina? Quero dizer, ouvi dizer que ruivas podem ter a cor dos olhos que bem entendem, mas os dela nasceram tão castanhos. E por "tão castanhos" quero dizer tão perfeitamente normais. O quão clichê soa eu falar dos olhos castanhos da guria, mas outrora haveria de dizer.” Neste momento ela me encarava com um sorriso lisonjeiro e, por ele, tomei minha inspiração. "E o sorriso, nem de longe acho descrição, mas posso afirmar, mesmo que sem aprovação, que vejo perfeição." Fechei as aspas com a mão para indicar meu fim. Me voltei para observa-la e ela estava me encarando com o mesmo sorriso que me inspirara a pouco.

Sim, culpa dela.


Hoje eu esperei uma meia hora no terminal para pegar o único ônibus que me trás para casa, nesse meio tempo, entre uma ou outra musica, eu observava um garoto peculiar. Eu realmente quis me aproximar e pedir um cigarro, mesmo que somente puxar assunto. Não, não era só para puxar assunto, eu realmente queria um cigarro e o fato de poder puxar assunto era o que me motivava. Ele parecia alguém que gostasse de livros, de boa musica, até um pouco de Psicologia. E isso chamava minha atenção, mesmo depois de voltar as minhas crônicas eu o olhava novamente, mas só prestei total atenção depois que ele sustentou meu olhar por longos 7 minutos. Eu o vi consumir uns dois ou três cigarros durante a espera. Eu desejava poder conversar com ele. Mas nunca antes havia despertado essa curiosidade. Conversar com um estranho por causa de um cigarro e de sua “boa aparência”. Então me ocorreu, não era o garoto com o cigarro que me chamava à atenção e sim quem o garoto e o cigarro lembravam-me. E lá estava eu rindo, observando o garoto que me lembrou a Ruiva.

Alguém sabe onde esta o meu livro?



Parei em frente ao espelho e observei. Desgostava totalmente do que via, não só fisicamente, mas introspectivamente também. Eu não sei mais o que penso, devo rever meus valores. Mas por onde começar se desvio de tudo por culpa dela. Eu deveria me exilar por uns dia, talvez uma semana. Se possível apaga-la por algumas horas. Me presentear com algumas horas de musica, ler um pouco de Freud e Marx. Talvez eu devesse me desafogar dessa monotonia de sentimentos. Talvez eu pratique o desapego.

"Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa." (C. Lispector) Sim minha Clarice, mesmo que as cores não me pertencessem mais, não importaria, só importa aquele sorrisinho.


Ainda não há logica em tal majestade.



Não me conformei com aquela Ruiva ainda. Continuo perdendo horas com ela que, por mais estranho que pareça, não notei meus 16 anos chegar. Quando o relógio soou meia noite em ponto eu a desejei e por alguns instantes, mesmo que poucos, eu a desejava com toda a minha força. Se não fossem as mensagens que iam chegando eu teria ido dormir somente com ela em minha mente. Por estes atos volto a dizer: como pode tal ser majestoso roubar tantas horas de minha atenção? Digo logo eu, não mais tão pequena e, mesmo ainda mais maliciosa, um pouco ingênua que não entendo tal ação e consequência.

Eu musico e eu poeta.


O Poeta sabe o que declamar. Ele para fazer sua poesia se inspira, ele escolhe a emoção dos versos, as palavras, escolhe o que lhe inspira, e até mesmo o desenho das palavras. Já o musico não, ele não sabe o que vai cantar até que começa. Até que pega o violão e passa a mão nas cordas, tenta o primeiro acorde e nada, tenta um segundo, terceiro e vai. Em segundos há musica. Logo, eu malícia, sou poeta. E eu ingênua, eu sou musico. Mas convenhamos que sou mais poeta que musico. E de meu poder eu escolho minha inspiração.

Não há logica em tal majestade, se me permite.


Como pode tal ser majestoso roubar tantas horas de minha atenção? Digo logo eu, tão pequena e, mesmo maliciosa, ingênua que não entendo tal ação e consequência. Mesmo que me mostre, não vou saber. Não que eu seja tola, mas não há lógica em tais atos. E mesmo que eu houvesse, poucas horas do dia me restam, afinal tua majestade me encanta.