09 maio, 2012

Agarro-me e nada.


O gosto de café estava na minha boca. Aquele gosto doce meio amargo me fez perceber que o dia gelado lá fora, esses dias combinam tão perfeitamente com café. Sentada à mesa com os joelhos junto ao peito, sozinha em casa, o silêncio tomando todos os cantos, havia uma xícara sobre a mesa, eu estava enrolada em um pequeno manto. Fixei a fumaça saindo da xícara e, por algumas horas, eu viajei. Não sei para onde fui, não consigo me lembrar, mas os goles de café não me tiravam a atenção, sei que eu te observei sorrir de novo, ouvi você gritar por mim, ouvi meus amigos pedirem por mim. Mas são lembranças vagas, borrões e pequenos lances de luz. Nada que eu pudesse me agarrar e entrar em crise, não o suficiente para sentir saudade. Todos os vislumbres que iam e vinham se transformavam em novos pedaços da minha historia, nada que eu conseguisse sorrir por mais de alguns segundos. Mas então veio. Aquela tarde. Pude sentir até a brisa leve me trazendo o cheiro do mar e a areia em meus pés novamente. Foi nessa lembrança que me agarrei, desdobrei-a em minha mente como um papel e nela me fiz saudade, por todo aquele dia. Lembrei-me do barulho das ondas quebrando atrás de nós, decidi te jogar um pouco de areia para que viesse atrás de mim e corri em direção ao mar, mas você me alcançou e me derrubou, caímos os dois na areia molhada e em seguida veio uma pequena onda nos molhar, lembra? Pude sentir a água gelada molhar meus ombros e cabelos de novo, mas desta vez não conseguia sentir seu peso sobre me corpo. Agarrei-me com mais força à lembrança, não para que não me escapasse, mas para que eu pudesse revivê-la. Não consegui recordar exatamente o que aconteceu depois, mas eu lembro que ter alguém, que não era você, em meus braços, quase como se esta mesma estivesse desmoronando. E foi então que eu me voltei para minha xícara e o café tinha acabado. Eu perdi totalmente a lembrança e busquei por mais, só que o clima mundano voltara para minha alma, e o relógio voltou a andar no sentido horário.

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