16 janeiro, 2012

Carta não entregue.


Ela começou a escrever. Nada certo até então, mas as palavras foram tomando sentido. "E eu sempre vou te amar, entendeu? Não importa se estamos juntas ou separadas, longe ou perto. O meu coração sempre vai te pertencer. E não pense que eu gosto disso, de ser tão dependente de você, porque eu odeio precisar tanto de você. Mas o amor é maior que essa raiva. E se algum dia você duvidar do que eu sinto, lembra-te das nossas conversas, e de todas aquelas vezes que eu te chamei de idiota... Porque quando eu dizia idiota, eu estava gritando que te amava, ou das vezes que eu disse eu te amo, eu não sou de dizer eu te amo para quem eu não sou dependente. E quanto as brigas, as lágrimas e aos términos... Esquece tudo isso, e lembra-te somente das partes boas, tá? Daqueles sorrisos que eu tirei de você, das horas falando uma com a outra, dos sorrisos que você conseguia me tirar, dos olhares encontrados, dos lábios mordidos." Algumas lagrimas caíram, o coração dela estava apertado, pois as lembranças tomaram sua mente, eram lembranças boas, elas ainda faziam seu estomago sentir borboletas, mas doía pensar que nada daquilo poderia voltar. Mesmo assim ela continuou. "E agora eu deixo você seguir em frente, porque eu sei que eu nunca vou ser o melhor para você. Eu nunca vou cuidar de você, como você merece, nunca serei como aqueles outros. Mas mesmo assim, te amando tanto, eu sei que preciso te deixar ir, deixar você escolher. E bebê, meu bebê, eu te amo, tá ?" E mesmo sabendo que ela não era mais seu bebê, que aquela carta provavelmente não chegaria ao seu destino e que jamais sentiria isso por outra pessoa ela perfumou a carta, leu novamente e sem quer derrubou algumas lágrimas manchando o canto com a data. e a guardou em uma gaveta, junto as outras cartas, todas destinadas a mesma pessoa.

02 janeiro, 2012

Primeira lembrança de 2012


Ela se questionava no porque as coisas era estranhas, porque o tempo passava lentamente e em como as palavras não faziam mais sentido. Nem mesmo as suas velhas palavras, elas pareciam se embaralhar, nada que fizesse poderia distrai-la, sempre estaria pensando nela. As vezes meio distraída ouvia alguém dizer aquela palavra, aquela que lembrava dela, mas ao olhar em volta se surpreendia em não achar ninguém, nem mesmo uma unica alma viva, nem mesmo sua alma. E como uma dose de narcóticos as lembranças tomavam sua mente, ela realmente não se importava disso, não mesmo, ficava horas, quem sabe não tenha passado dias nessa especie de estado de narcose.
As lembranças a pegaram de surpresa um dia, pelo simples fato de achar aquele que era, e ainda é, nomeado de Gustavo. Ela se sentou no chão mesmo, abraçou aquele pequeno ursinho e então elas vieram, uma a uma. Primeiro veio o abraço, ela se lembrou de todos eles, como eram reconfortantes, aquela sensação de segurar seu mundo inteiro por alguns segundos, depois veio o perfume, aquele perfume que a deixava louca, lembrou-se das vezes que chegou bem perto do seu pescoço, enquanto a abraçava de costas, dava pra sentir aquele perfume. E as vezes que ela estava sentada com suas amigas e ela só observava, ela é tão magnifica, e tão perfeita, como não observa-la com aquele sorriso e com aqueles olhos. E como um filme ela lembrava de todas as vezes que ela viu os sorrisos de sua amada e se orgulhava das vezes que ela o causava.Ela se lembrou daquele velho hábito, das vezes que elas morderam os lábios, das trocas de olhares, tudo, exatamente tudo que poderia ser lembrado foi lembrado naquele momento.E se alguém perguntasse a ela qualquer coisa, ela não responderia boas coisas, afinal nada a não ser ela lhe vinha a cabeça.
Aquele dia talvez fosse o primeiro dia do ano mais perfeito que alguém poderia pedir, e ela simplesmente não havia pedido havia ganhado. Com um sorriso bobo estampado no rosto decidiu dormir. E como se passar aquele dia pensando nela não bastasse, ela sonhou com ela e foi a melhor noite que ela teve desde de então.