28 novembro, 2012

Devaneios noturnos.

Madrugadas vazias. Nem tanto agora que tenho uma coruja, mas assim como todos ela cansa e vai embora, e me resta apenas a cama gelada. Deito-me na esperança de adormecer, mas nada acontece. Então eu me vejo sentada na cama, enrolada em minha coberta, com os olhos a perseguir o escuro. Como já de se esperar não encontro nada além do preto, procuro por qualquer sinal de chuva ou de vozes que confirmem que não estou sozinha. Nada. Apenas as vozes em minha cabeça, mas estas eu quero evitar. Hoje espero que não haja esse marasmo noturno. Observando a lua lá fora concluo que não haverá, a sua luz inundará meu quarto involuntariamente e eu terei o que adimirar e manter a mente ocupada.

27 outubro, 2012

Querido Netuno


Querido Netuno, com toda influencia que você exerce sobre ela e, sobretudo, com a sua magnitude, por favor eu imploro-lhe que a cuide. Cuide com carinho, pois minha pessoa já não comporta mais a razão. Não comporta mais o sossego. Nem a sanidade. E mesmo que nunca tenha comportado nada disso eu peço a ti que cuide.

Atenciosamente eu, pequena e ingenua. 

Não é só poesia.


Não venha me dizer que é só poesia, porque nunca é só a poesia. Vai muito além das palavras. Vai muito além do destinatário. Passa na alma, alias perfura-a. Consome. Coroe. Ao bom entender uma palavra basta. Neste caso tomo a liberdade de modificar e dizer que ao bom entendedor uma poesia basta. No caso entendedores. Aos demais olhos, até aos meus, a poesia é sem significado maior, se tornam palavras proclamadas com destino reservado e não a alma gritando as entrelinhas. Infelizmente, ou felizmente não sei ao certo, tenho quase vivencia, mas a minha poesia ainda é crua e desinteressante. Então, não venha me dizer que é só uma troca de poesia sem significado. Alias, me fale da poesia, me explica e me deixa entender, só não fala que é sem significado.

Companhia para os café e cigarros


Antes café só seria bom se acompanhado por musica ou por livros. Mas até mesmo os livros que me davam mais prazer, não substituíam a boa conversa. Ou a troca de olhares entre um gole e outro. Então eu, leitora ingênua, sai à procura de companhia para tardes longas, café e cigarros. E nesse meu procurar em caminhos novos, eu encontrei. Encontrei a Ruiva que me serviria de boa companhia. Minha ingenuidade deveria prevalecer, foi o combinado comigo mesma, mas ao ouvir a poesia e a deixar-me senti-la minha malicia me venceu. E por longos meses foi se arrastando o convite escondido na poesia. Não havia café. Não havia cigarros. Não havia conversa. Apenas poesia. Mas à medida que eu deixa a ingenuidade e passava a ser malicia, as palavras se tornavam mais claras, até que eu consegui uma xícara de café. Eu, ela, o café quente e, por mais que os cigarros fossem importantes, haviam sidos substituídos por desejo. Um desejo, não me recordo certeiramente, mas eram de ambas as partes. Curioso. 'É realmente curioso como essas coisas acontecem. '

Faz tempo que não escrevo sobre a Ruiva. Faz tempo que ela não da um sinal de vida. Talvez ela ainda não tenha voltado, ou eu ainda não cheguei. É talvez seja isso.
Argh. Alguém me arruma alguma coisa mais forte, minha cabeça esta explodindo. Venha guria, sente comigo e me passe um cigarro. Eu sei que já foram quatro só esta manha, mas não importa, vamos conversar mais um pouco. Te imploro, só mais alguns assuntos e então eu sigo em frente. Mas peço que deixe nossa conversa pra terminar, não acabe ela assim. É sempre bom ter uma para terminar. Fica o ar da saudade. Por favor, sente e a gente bebe algo mais forte, a companhia sou eu, mas te garanto que não mordo, só se me pedir. Senta logo Ruiva, estou te esperando, aliás, a bastante tempo. Você ainda esta ai? Ou nunca esteve?

09 outubro, 2012

Come little children.


Eu me sentei no chão, estava gelado. Não ouvia nenhum barulho do lado de fora, mas aqui dentro estava perturbador. Coloquei a mão sobre o coração e este estava acelerado. Eu já havia trancado a porta, mas estava inquieta então resolvi conferir. Porta fecha. Idem com as janelas. "Muito bem, não enlouqueça agora, sente-se e comece" pensei comigo mesma. Sentei-me novamente no chão gelado, puxei um papel e comecei a escrever qualquer coisa. Pedaços de musicas, coisas não ditas, pedidos, frustrações. Eis que a dor atinge, e no meu papel não consigo passar, joguei-o para o lado. Agora é a hora em que me perco. Ou não? Já estou perdida a anos, só não havia notado. "Come, little children, I'll take thee away,  into a land of Enchantment, come little children the time's come to Play here in my Garden of Shadows" eu canto em voz alta acompanhando a melodia que me embala e me deixando ser levada pela Covington. "Mas Kate por onde vou?" consigo pensar antes de passar a lamina. "Follow sweet children, I'll show thee the way" ela parecia responder minhas perguntas. Eu não conseguia mais evitar. Um, dois, três, quatro, vinte. Me perdi nos números. Eis que fui perdendo os sentidos. Minha cabeça rodando. "Hush now dear children, It must be this way to weary of life and deceptions rest now my children for soon we'll away into the calm and the quiet" apesar de quase totalmente sem os sentidos escutei Covington pronunciar estas ultimas palavras. "Kate, por favor, tenha piedade e me devolva-a" foi a ultima coisa que pensei, por fim ficou escuro e eu já não sabia o que acontecerá a seguir.

26 setembro, 2012


Eu ainda queria escrever sobre você. Eu ainda queria mergulhar naquela cabeça escura e confusa, mas que, a meu ver, não havia nada tão confuso que eu não pudesse desvendar. Mas ainda que eu escrevesse sobre você, o que há para escrever mais? Afinal, todos já sabem que eu desejo. Talvez até você saiba também. E eu deveria mudar os clichês. Então decidi ir a uma cafeteria, porque nada melhor pra pensar que um bom café. Decidi que me daria um tempo. Que escreveria sobre qualquer outra coisa que não fosse você. Mas ao entrar na cafeteria, perdi esse pensamento, porque sem sombra de duvida tudo ali era feito de você. Desde a musica até os quadros nas paredes. Tudo conspirando para que eu escrevesse sobre você. Até mesmo o café foi meu traidor hoje. De qualquer forma, algum dia quando entrar naquele café, espero que lembre-se de minha pessoa. E tente imaginar como eu estava quando escrevia, ou pergunte a moça do balcão, ela me fitava em períodos irregulares.

25 setembro, 2012

"Me renda, como eu me rendi" Escutei Clarice

"A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda." Pois bem Caio, se não me falha a memória continua a relatar que choras, porque chorar seria sem sentido e o momento agora era para se fazer qualquer coisa sem sentido. Se me permite uso o seu argumento a meu favor. Uma vez que perdi totalmente. E ela ganhou. Eu resisti até o ultimo segundo, mas quando se tem o psíquico ao teu dispor, se torna extremamente complicado ser vencida. Logo, eu malícia, sou poeta, eu caótica, sou dela. Mas ambos são quase a mesma coisa.

Espero tua resposta


Escreverei hoje de uma maneira diferente do habitual. Dirigirei-me diretamente a ti Ruiva. Sem hesitações. Fugirei daquela velha historia de escrever sobre seus efeitos. Ouso perguntar se não gostaria de um café agora? Acabei de fazer, tem um bom aroma. Sigo a linha do raciocínio, mas não há lógica no que estou fazendo, o máximo que faço agora, é reunir forças para implorar-lhe algo em resposta disso. Mas o que é isso? Não sei ao certo. Ruiva, minha desejada Ruiva, estou a espera de "algo a mais", mas ou estou cega com teus feitos e não percebo tua resposta, ou estas cegas com outros atos e não percebe minhas suplicas. Agora me responda Ruiva, é a poesia o problema ou será que é somente o jogo? Digo que sabes brincar com o inconsciente, eu mesma já ouvi historias. Nossa como eu preciso de um cigarro agora. Minha cama esta bem gelada e minha cabeça esta girando. Um cigarro acompanhado. Por você. Era tudo o que eu precisava agora.

Café e cigarros.



Eu ainda vou tomar um bom café na 3 Bateman Street, W1. Ela vai me olhar e dizer "Finalmente estamos aqui", vai acender um cigarro e eu estarei acabando o meu. Depois de um tempo andando pela Bateman Street vamos avistar a placa Milkbar, eu vou puxa-la correndo para dentro, nos sentaremos na janela, para ver o movimento. Vou pedir um café com capuccino com chantilly e ela vai pedir um expresso, porque café não pode ter frescura, tem que ser só café. Vamos pedir alguns bolinhos, mas não comeremos metade. Vou te olhar e encontrar a Ruiva sobre a qual hoje escrevo, a Ruiva que ainda não me pertence. O mesmo cabelo, os mesmos olhos e o mesmo sorriso, mas com uma diferença, lá será tudo meu.

Eis que escuto Clarice "Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária." e abro um sorriso, porque ela é toda revolta. Ela é toda anti-sociedade e, por esses e outros motivos, acredito que ela seja a Ruiva que me inspira.




Nos sentamos na mesa numero 13, não que eu tenha influenciado na escolha, mas digamos que eu a conduzi. Nos observamos por alguns minutos e então começamos a conversar, sobre tudo sobre nada, sobre indiretas e a falta delas e, principalmente, sobre como fomos parar ali sentadas aquela mesa. Afinal, por pura coincidência estávamos no mesmo lugar, na mesma hora. Então ela me pediu para 'escreve-la', demorei um certo tempo até entender que ela queria que eu escrevesse sobre ela. Nunca antes havia recebido tal convite, por tanto aceitei. Fiz um sinal de aspas com a mão para que ela soubesse que começara. ''Já percebeu os olhos castanhos que tem aquela menina? Quero dizer, ouvi dizer que ruivas podem ter a cor dos olhos que bem entendem, mas os dela nasceram tão castanhos. E por "tão castanhos" quero dizer tão perfeitamente normais. O quão clichê soa eu falar dos olhos castanhos da guria, mas outrora haveria de dizer.” Neste momento ela me encarava com um sorriso lisonjeiro e, por ele, tomei minha inspiração. "E o sorriso, nem de longe acho descrição, mas posso afirmar, mesmo que sem aprovação, que vejo perfeição." Fechei as aspas com a mão para indicar meu fim. Me voltei para observa-la e ela estava me encarando com o mesmo sorriso que me inspirara a pouco.

Sim, culpa dela.


Hoje eu esperei uma meia hora no terminal para pegar o único ônibus que me trás para casa, nesse meio tempo, entre uma ou outra musica, eu observava um garoto peculiar. Eu realmente quis me aproximar e pedir um cigarro, mesmo que somente puxar assunto. Não, não era só para puxar assunto, eu realmente queria um cigarro e o fato de poder puxar assunto era o que me motivava. Ele parecia alguém que gostasse de livros, de boa musica, até um pouco de Psicologia. E isso chamava minha atenção, mesmo depois de voltar as minhas crônicas eu o olhava novamente, mas só prestei total atenção depois que ele sustentou meu olhar por longos 7 minutos. Eu o vi consumir uns dois ou três cigarros durante a espera. Eu desejava poder conversar com ele. Mas nunca antes havia despertado essa curiosidade. Conversar com um estranho por causa de um cigarro e de sua “boa aparência”. Então me ocorreu, não era o garoto com o cigarro que me chamava à atenção e sim quem o garoto e o cigarro lembravam-me. E lá estava eu rindo, observando o garoto que me lembrou a Ruiva.

Alguém sabe onde esta o meu livro?



Parei em frente ao espelho e observei. Desgostava totalmente do que via, não só fisicamente, mas introspectivamente também. Eu não sei mais o que penso, devo rever meus valores. Mas por onde começar se desvio de tudo por culpa dela. Eu deveria me exilar por uns dia, talvez uma semana. Se possível apaga-la por algumas horas. Me presentear com algumas horas de musica, ler um pouco de Freud e Marx. Talvez eu devesse me desafogar dessa monotonia de sentimentos. Talvez eu pratique o desapego.

"Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa." (C. Lispector) Sim minha Clarice, mesmo que as cores não me pertencessem mais, não importaria, só importa aquele sorrisinho.


Ainda não há logica em tal majestade.



Não me conformei com aquela Ruiva ainda. Continuo perdendo horas com ela que, por mais estranho que pareça, não notei meus 16 anos chegar. Quando o relógio soou meia noite em ponto eu a desejei e por alguns instantes, mesmo que poucos, eu a desejava com toda a minha força. Se não fossem as mensagens que iam chegando eu teria ido dormir somente com ela em minha mente. Por estes atos volto a dizer: como pode tal ser majestoso roubar tantas horas de minha atenção? Digo logo eu, não mais tão pequena e, mesmo ainda mais maliciosa, um pouco ingênua que não entendo tal ação e consequência.

Eu musico e eu poeta.


O Poeta sabe o que declamar. Ele para fazer sua poesia se inspira, ele escolhe a emoção dos versos, as palavras, escolhe o que lhe inspira, e até mesmo o desenho das palavras. Já o musico não, ele não sabe o que vai cantar até que começa. Até que pega o violão e passa a mão nas cordas, tenta o primeiro acorde e nada, tenta um segundo, terceiro e vai. Em segundos há musica. Logo, eu malícia, sou poeta. E eu ingênua, eu sou musico. Mas convenhamos que sou mais poeta que musico. E de meu poder eu escolho minha inspiração.

Não há logica em tal majestade, se me permite.


Como pode tal ser majestoso roubar tantas horas de minha atenção? Digo logo eu, tão pequena e, mesmo maliciosa, ingênua que não entendo tal ação e consequência. Mesmo que me mostre, não vou saber. Não que eu seja tola, mas não há lógica em tais atos. E mesmo que eu houvesse, poucas horas do dia me restam, afinal tua majestade me encanta.

09 maio, 2012

Agarro-me e nada.


O gosto de café estava na minha boca. Aquele gosto doce meio amargo me fez perceber que o dia gelado lá fora, esses dias combinam tão perfeitamente com café. Sentada à mesa com os joelhos junto ao peito, sozinha em casa, o silêncio tomando todos os cantos, havia uma xícara sobre a mesa, eu estava enrolada em um pequeno manto. Fixei a fumaça saindo da xícara e, por algumas horas, eu viajei. Não sei para onde fui, não consigo me lembrar, mas os goles de café não me tiravam a atenção, sei que eu te observei sorrir de novo, ouvi você gritar por mim, ouvi meus amigos pedirem por mim. Mas são lembranças vagas, borrões e pequenos lances de luz. Nada que eu pudesse me agarrar e entrar em crise, não o suficiente para sentir saudade. Todos os vislumbres que iam e vinham se transformavam em novos pedaços da minha historia, nada que eu conseguisse sorrir por mais de alguns segundos. Mas então veio. Aquela tarde. Pude sentir até a brisa leve me trazendo o cheiro do mar e a areia em meus pés novamente. Foi nessa lembrança que me agarrei, desdobrei-a em minha mente como um papel e nela me fiz saudade, por todo aquele dia. Lembrei-me do barulho das ondas quebrando atrás de nós, decidi te jogar um pouco de areia para que viesse atrás de mim e corri em direção ao mar, mas você me alcançou e me derrubou, caímos os dois na areia molhada e em seguida veio uma pequena onda nos molhar, lembra? Pude sentir a água gelada molhar meus ombros e cabelos de novo, mas desta vez não conseguia sentir seu peso sobre me corpo. Agarrei-me com mais força à lembrança, não para que não me escapasse, mas para que eu pudesse revivê-la. Não consegui recordar exatamente o que aconteceu depois, mas eu lembro que ter alguém, que não era você, em meus braços, quase como se esta mesma estivesse desmoronando. E foi então que eu me voltei para minha xícara e o café tinha acabado. Eu perdi totalmente a lembrança e busquei por mais, só que o clima mundano voltara para minha alma, e o relógio voltou a andar no sentido horário.

25 abril, 2012

Minha musica não parou.


Ela começou a cantar em voz alta na esperança de que seus pais a ouvissem e percebessem o quão alto estavam brigando, mas não adiantou. Eles discutiam sobre coisa banais. Ela colocou suas mãos nos ouvidos e começou a cantar. ‘’ Just close your eyes..." Mas estava fora da melodia, estava difícil escutar com os seus país gritando, ela continuou "...the sun is going down, you’ll be alright, no one...’’ Ela escutou seu pai gritar mais alto e as lágrimas começaram a cair. Voltou a musica.’’No one can hurt you now, come morning light, you and I Will be safe and sound. ’’ Ela não conseguia mais cantar não saia voz, ela encostou no piano, desejando que alguma musica tocasse, mas nada além de lagrimas silenciosas, então colocou fones de ouvido e elevou a musica mais agitada que tinha, mas mesmo assim o barulho era demais, nem a musica lhe adiantou. E a única solução foi levantar ir na direção deles e gritar “PAREM” a palavra ecoou pela cozinha. E naquela noite o jantar foi frio que tivera em toda a tua pequena vida.

11 fevereiro, 2012

Ela vem e perturba meu dia.


Ninguém sabe como lidar com a morte, não importa quantas amigos, quantos parentes ou conhecidos morram, ninguém nunca vai saber como lidar. Sempre vai ser assim para o resto de nossas vidas, pessoas vão morrer e nós não saberemos o que pensar. Mas tem aquelas mortes que mechem de um jeito diferente, em uns mais que outros, porém de uma forma geral meche. Digo isso baseado em mim. Sempre escrevi sobre a morte, nunca fiquei paralisada com a noticia das pessoas que morram, mas hoje foi diferente. Hoje eu vi como eu teria morrido. Digo não diretamente, não eu, mas uma conhecida, que teve a mesma ideia que eu, mas ela foi além ela executou e com infelicidade digo que foi bem sucedida.
Sexta a noite, tinha acabado de voltar de uma noite um tanto detestada e amada, recebo a noticia da morte de uma das garota mais sorridentes que eu já conheci. Primeira reação: congelei, segundos depois minha mente se encheu de coisas e a mais intrigante delas "Sera verdade ?" Minha ficha não tinha caído ainda até que... Sábado de manha, estava em meu curso matinal até que escuto a mesma notícia, os mesmos nomes seguido mesmas reações. Voltei para casa pálida e calada, comuniquei a notícia aos meus pais, caras de espanto e susto, nenhuma palavra se seguiu durante o almoço e boa parte da tarde. A essa hora todos já sabiam, cada um lamentava de sua maneira, mas e eu que não tinha trocado mais que 10 palavras com ela, por que eu estava tão abalada? Essa é fácil de responder, porque se eu tivesse um pouco mais de coragem teria sido eu antes dela, a umas 3 semanas mais ou menos..

Nota da autora: Gostaria de escrever mais, mas não consigo minha cabeça esta rodando e lagrimas já não deixam.

16 janeiro, 2012

Carta não entregue.


Ela começou a escrever. Nada certo até então, mas as palavras foram tomando sentido. "E eu sempre vou te amar, entendeu? Não importa se estamos juntas ou separadas, longe ou perto. O meu coração sempre vai te pertencer. E não pense que eu gosto disso, de ser tão dependente de você, porque eu odeio precisar tanto de você. Mas o amor é maior que essa raiva. E se algum dia você duvidar do que eu sinto, lembra-te das nossas conversas, e de todas aquelas vezes que eu te chamei de idiota... Porque quando eu dizia idiota, eu estava gritando que te amava, ou das vezes que eu disse eu te amo, eu não sou de dizer eu te amo para quem eu não sou dependente. E quanto as brigas, as lágrimas e aos términos... Esquece tudo isso, e lembra-te somente das partes boas, tá? Daqueles sorrisos que eu tirei de você, das horas falando uma com a outra, dos sorrisos que você conseguia me tirar, dos olhares encontrados, dos lábios mordidos." Algumas lagrimas caíram, o coração dela estava apertado, pois as lembranças tomaram sua mente, eram lembranças boas, elas ainda faziam seu estomago sentir borboletas, mas doía pensar que nada daquilo poderia voltar. Mesmo assim ela continuou. "E agora eu deixo você seguir em frente, porque eu sei que eu nunca vou ser o melhor para você. Eu nunca vou cuidar de você, como você merece, nunca serei como aqueles outros. Mas mesmo assim, te amando tanto, eu sei que preciso te deixar ir, deixar você escolher. E bebê, meu bebê, eu te amo, tá ?" E mesmo sabendo que ela não era mais seu bebê, que aquela carta provavelmente não chegaria ao seu destino e que jamais sentiria isso por outra pessoa ela perfumou a carta, leu novamente e sem quer derrubou algumas lágrimas manchando o canto com a data. e a guardou em uma gaveta, junto as outras cartas, todas destinadas a mesma pessoa.

02 janeiro, 2012

Primeira lembrança de 2012


Ela se questionava no porque as coisas era estranhas, porque o tempo passava lentamente e em como as palavras não faziam mais sentido. Nem mesmo as suas velhas palavras, elas pareciam se embaralhar, nada que fizesse poderia distrai-la, sempre estaria pensando nela. As vezes meio distraída ouvia alguém dizer aquela palavra, aquela que lembrava dela, mas ao olhar em volta se surpreendia em não achar ninguém, nem mesmo uma unica alma viva, nem mesmo sua alma. E como uma dose de narcóticos as lembranças tomavam sua mente, ela realmente não se importava disso, não mesmo, ficava horas, quem sabe não tenha passado dias nessa especie de estado de narcose.
As lembranças a pegaram de surpresa um dia, pelo simples fato de achar aquele que era, e ainda é, nomeado de Gustavo. Ela se sentou no chão mesmo, abraçou aquele pequeno ursinho e então elas vieram, uma a uma. Primeiro veio o abraço, ela se lembrou de todos eles, como eram reconfortantes, aquela sensação de segurar seu mundo inteiro por alguns segundos, depois veio o perfume, aquele perfume que a deixava louca, lembrou-se das vezes que chegou bem perto do seu pescoço, enquanto a abraçava de costas, dava pra sentir aquele perfume. E as vezes que ela estava sentada com suas amigas e ela só observava, ela é tão magnifica, e tão perfeita, como não observa-la com aquele sorriso e com aqueles olhos. E como um filme ela lembrava de todas as vezes que ela viu os sorrisos de sua amada e se orgulhava das vezes que ela o causava.Ela se lembrou daquele velho hábito, das vezes que elas morderam os lábios, das trocas de olhares, tudo, exatamente tudo que poderia ser lembrado foi lembrado naquele momento.E se alguém perguntasse a ela qualquer coisa, ela não responderia boas coisas, afinal nada a não ser ela lhe vinha a cabeça.
Aquele dia talvez fosse o primeiro dia do ano mais perfeito que alguém poderia pedir, e ela simplesmente não havia pedido havia ganhado. Com um sorriso bobo estampado no rosto decidiu dormir. E como se passar aquele dia pensando nela não bastasse, ela sonhou com ela e foi a melhor noite que ela teve desde de então.