26 dezembro, 2011

Sem ela

1º dia: Acordei às 03:30 da madrugada, ouvi o barulho da chuva caindo lá fora, senti o cheiro doce, a acalmante da terra molhada. Fiquei sentada perto da janela, para ouvir mais de perto o barulho, para lembrar de algumas coisas, para lembrar de você. Fiquei lembrando da noite passada, das suas palavras e do momento que te vi saindo de minha vida. E cedo demais, as lágrimas começaram a cair, uma a uma, ferozmente, como se pudessem rasgar o meu rosto e atravessar a minha pele. 08:30, o sol saiu e o dia já está abafado, tento tomar um café, mas nada passa pela minha garganta, nem mesmo o choro. O dia se arrasta lentamente, me obrigando a reviver lembranças, a chorar pela saudade. E quando a noite chega, talvez cedo demais, me dou conta que hoje era Natal, eu vou me deitar, agarrada com o meu travesseiro encharcado.
2º dia: Ainda é o segundo dia ? Já pareceu ser quase um mês.O tempo passa estranho sem você. Levantei com um barulho parecido com som das mensagens que me mandava, corri atrás do celular, havia uma mensagem, prendi a respiração, mas ao ver o numero lágrimas escorreram, não era você, alias não era ninguém. Olhei a minha volta, ao quarto bagunçado. 13:50, não tive noticias suas. O coração estava doendo, comecei a me lembrar dos sonhos, eu ainda podia te beijar, te acariciar, eramos felizes. O resto do dia foi uma mistura de ansiedade e dor, foi demorado, não me acostumei, não ter mensagens, não falar com você, ter só o silêncio. Resolvi lhe mandar um recado, por msn mesmo "Estou com saudades :(" algumas horas depois você entra e devolve com um " Também estou com saudades :/" depois disso foram horas de indiretas nas diversas redes sociais, eu chorava com algumas respostas. 20:52, recebo uma mensagem, era você agora, prendi a respiração, meu corpo começou a tremer, congelei, por alguns segundos tive medo do que iria ler, mas juntei o resto de coragem que me sobrará, " Eu amo você :/ " milhões de coisas passaram na minha cabeça, todos sobre você, as lágrimas já escorriam pelo meu rosto e eu nem havia percebido, apenas 5 segundos e já pareceu a eternidade. Finalmente respondi "Eu também te amo :* muito" depois disso, só me lembro de ter tomado algumas doses de vinho e chorar muito.

14 dezembro, 2011

A garota.


Aos olhos de quem vê, ela esta bem, está feliz e não tem medo de nada. Segue os trilhos do trem até a cidade vizinha, apenas com uma mochila nas costas. E ao ouvir o trem se afasta elegantemente dos trilhos, ela observa calmamente o trem passar e depois volta para os trilhos, se equilibrando para não cair. Ela faz a mesma coisa todos os dias. Sai da escola, passa em casa para pegar a mochila e algo para comer e segue em direção dos trilhos. Ninguém sabe para onde ela vai, ou o que ela faz, ninguém exceto ele, que corajosamente ou apenas estupidamente a seguiu um dia desses. Ele, depois de tanto tempo, finalmente entendeu o ditado a curiosidade matou o gato.
A tarde estava ótima para dar uma volta na cidade, mas algo nos trilhos chamou-lhe mais a atenção, a garota que devia ter uns 16 anos, usava jeans e camiseta comum, não havia nada de especial nela, mas atenção dele se voltou para ela com tamanha intensidade que resolveu segui-la. Andaram um bom pedaço dos trilhos. Claro que ele bem afastado para que ela não percebesse estar sendo seguida, o que foi em vão, porque depois de tanto tempo andando por ali ela já diferenciava o som de pessoas, animais ou qualquer meio termo entre esses dois. Ela parou em meio ao nada, ele a observou, ela entrou na mata densa e ele com milhões de perguntas na cabeça apenas a seguiu. Andaram por quase meia hora e então chegaram a uma especie de passagem formado inteiramente por plantas. Ela parou diante do arco, respirou fundo e continuou por entre o arco. Ele a seguiu rapidamente e assim que passou ela havia sumido por completo, ele olhou em volta, mas tudo o que via eram arvores incrivelmente altas, que faziam uma sobra deliciosa, havia uma casinha de madeira em uma delas, o que era estranho porque aquele lugar era no meio do nada.
Ele quis subir para ver mais de perto, mas antes que pudesse dar qualquer passo, risos suaves romperam o silencio. Ele procurava de onde vinham, mas pareciam vir de todos os lugares. Uma voz, que parecia ser sussurrada em seu ouvido lhe perguntava "O que o traz aqui meu rapaz?" outra voz, porém dizia mais alto como se estivessem conversando normalmente "Não devia te-la seguido" e fez um som de desaprovação, uma terceira voz ainda surgiu, essa era doce e ele via de onde vinham, era a voz dela e vinha de trás de uma árvore "Meninas, meninas deixem-no, ele é meu" Ela saiu de trás da árvore, caminhando lentamente, já não vestia mais jeans e camiseta, agora estava em um vestido longo em tom de verde musgo, havia uma faixa branca na altura da cintura, os longos cabelos ruivos dela combinavam perfeitamente com as cores em volta, ela parecia estar voando naquele vestido fluido.
Ele se perguntava porque ela estava com aquele vestido, e ainda porque ali no meio do nada. Ela o observava calmamente. Haviam milhares de vozes em volta, elas sussurravam coisas como "Ele é mais alto que ela, são perfeitos juntos." " Se você acha que ele tem altura perfeita espere até ver o sorriso" "Sorriso haha, você já olhou naqueles olhos, eles seriam perfeitos para ..." mas antes que pudesse escutar o final uma quarta voz interrompeu dizendo "O perfume dele me lembra do ultimo" A menina com um sorriso malicioso no rosto disse "Garotas, se acalmem, estão assustando nosso convidado." Ele sabia que não gostaria de como aquilo terminaria, mas não tinha forças para dar nem um único passo, imagine para sair correndo.
Ela veio até ele estendeu a mão e , mesmo que o mundo inteiro gritasse para ele não dar a mão para ela e não acompanha-la , ele o teria feito. Eles subiram na casa da árvore, ele não gostava do que estava vendo, centenas talvez milhares, de fotos e recortes de jornais, falavam sobre mortes não solucionadas, desaparecidos e nunca encontrados, assassinatos em massa. Em todas as folha havia uma pequena marca, talvez uma assinatura, mas não pertenciam a garota.
Eles se encontravam sentados no meio da casinha, ela se virou para ele "Não são incríveis? Todos eles?" Ele, depois de observa-la algum tempo, disse "Quem? Os jornalistas?" Ele estava confuso. Ela fez uma cara de desgosto e disse " Não seja bobo, falo dos assassinos, casos nunca solucionados, eles nunca foram pegos" ele estava com muito medo para falar qualquer coisa e ela completou "Um dia serei tão boa quanto eles" os olhos da garota brilhavam, como se seu maior sonho fosse realmente esse. Ele a essa altura já estava com muito medo e imaginava como iria fugir dali, as vozes voltaram e se dirigiam a ela agora "Vamos faça, agora." "Não vai perder essa chance vai?" " Ela vai, vai ser igual ao ultimo, puf" e uma das vozes anteriores completou sarcasticamente "Vamos nos mudar de novo, haha que legal! " Ela começou a ficar brava "Quietas, todas vocês! Não vou fazer nada com ele, não quero que ele seja meu primeiro, mas também não posso simplesmente deixa-lo ir, ele sabe de vocês" ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Ele depois de reunir toda a coragem que lhe restava disse "Eu prometo ficar quieto, se me deixarem ir. Prometo ainda servir-lhes um dia dos próximos anos que viver." A garota o encarou, primeiramente com cara de curiosidade, mas logo percebeu a cara de espanto do garoto, parecia pensar seriamente em aceitar a proposta, mas ela não deixaria tão fácil assim, depois de pensar e andar alguns minutos propôs "Eu lhe deixo ir, faz o que quiser de tua vida, contanto que a alma de sua primeira filha seja minha. Esta é minha unica oferta." Ele não poderia dar a alma de sua filha assim, ainda mais por não saber para que exatamente estaria doando, mas também não queria saber em que seria o primeiro da garota, não tendo saída concordou e seu pulso esquerdo ardeu por um instante, segundos depois havia uma marca, um X com uma bolinha em cima, por fim ela disse "Minha marca, não tem como fugir agora." Ele saiu dali, mas as vozes ainda estavam em sua cabeça, toda a cena ainda estava na sua cabeça. Mesmo depois de anos.

13 dezembro, 2011

Ultimo aviso.


Vem a dor, pedaços de um coração estão, literalmente, espalhados pelo chão. A morte tem cheiro de chuva de fim de tarde e neve as 4:00 da manhã, é reconfortante, porém gelada, já a morte com vingança tem um cheiro melhor, ainda cheira a chuva e neve, mas percebesse um pitada de pimenta, que segundo alguns italianos antigos, seria o cheiro do diabo. Talvez seja por isso que a vingança cheira a chuva, neve e pimenta, tem sempre almas que se esquecem quem são. Volta a dor, o que eu fiz ou porque eu fiz? Devia estar cega de tanto ciumes e tanta magoa, não seria a primeira vez que perco a cabeça, mas nunca tinha ido tão longe.
Dessa vez reconheço que errei, mas era tarde demais, ele já estava frio a horas, eu já havia despedaço seu coração, assim como imaginava estar o meu. Suas roupas que eram brancas, a camisa, a calça e até mesmo os sapatos estavam sujos de sangue. Eu não me lembrava de nada que havia acontecido, mas o meu vestido preto também estava sujo com sangue e algo me dizia que não era sangue meu.
Congelei alguns minutos, uma dor forte na cabeça me derrubou no chão e como um filme eu vi todo o que havia acontecido minutos antes. Em outras circunstancia eu diria que ele cavou o própria cova, mas desta vez eu o atrai, usei como isca o que eu e ele mais queríamos: ela, Disse-lhe que me renderia, que não perturbaria mais, que a partir dali seriamos como amigos e como prova convidei-os para jantar, nós três, sentados em uma mesa de jantar, arrumada na minha própria casa, ninguém ousava falar de lembranças vividas com ela. Comemos, conversamos civilizadamente e então era hora de ir embora, esperei a carona dela chegar, esperavamos a dele agora, não poder morar sozinho deve ser tão horrível, mas não era hora para isso tinha que executar meu plano rápido.
Pedi que aguardasse na sala, iria verificar alguma coisa inventada no momento, dirigi-me ao meu quarto, peguei minha mais valiosa relíquia a adaga que herdei de meu avô. Segundo a grande linhagem da família a adaga pula uma geração, portanto avôs passam para seus netos, isso tem seculos, felizmente ou infelizmente isso ainda esta em julgamento, eu herdei a adaga. Conhecida como Ceifadora, pertencia ao membro de uma seita, a qual todos os membros era Ceifadores. Eles julgavam ou julgam, não tenho conhecimento se ainda existe algum, quem merece morrer e então, após escolher a vitima ceifam corpo e alma. "Perfurar o coração e dividi-lo em partes" esta no guia para Ceifadores, sim alguém de minha família pertenceu a seita. Peguei a Ceifadora, dirigi-me ao quadro de força e apaguei toda a casa, ouvi ele chamar meu nome lá da sala algumas vezes, disse que estava tudo bem, que isso acontecia as vezes tirei meus sapatos que faziam muito barulho. Andei calmamente até a sala, estava tão escuro que para quem não conhecesse bem o lugar sairia tropeçando, vantagem para mim que tinha o alvo parado a partir dai. Chame-o pelo nome para que pudesse localiza-lo, no momento em que me respondeu estou aqui pude vê-lo claramente de pé ao lado da luminária, foram alguns passos até ele. Então com tanta facilidade e até certa malicia apertei a Ceifadora contra seu peito, ele arfava e eu apenas parei ao seu lado e sussurrei aos seus ouvidos "Não escutastes os avisos, me provocastes mais do que o tolerável, agora ceifo sua alma e coloco em minha coleção" neste momento ele caiu, retirei seu coração despedacei-o e espalhei pela sala como uma garotinha feliz, escondi minha adaga e guardei um pedaço do coração. Segundos depois voltei a mim. Começava agora uma nova coleção e mal sabia eu que a amaria tanto.