14 dezembro, 2010

Síndrome de Alice



Sigo sem caminho ou direção aparente. Lembro do Cheshire dizendo à Alice que quando não se sabe aonde ir, qualquer direção serve. Só que eu sempre achei que sabia exatamente para onde estava indo. Agora não sei mais. É como se todas as placas de sinalização tivessem sido atiradas para longe no meio desse vendaval. Há árvores retorcidas e caídas na beira da estrada. O caminho é tortuoso. Queria avançar, mas, para onde eu ja nem sei e o regresso é impossível. Perdi dos olhos os restos de sol e das mãos as esperanças do amanhã embaladas pra viajem. O céu sem nuvens não traz de descanso. A cavidade onde deveria haver um coração esta vazia e ecoa meus passos perdidos. E assim, não vejo para onde vou. E avanço às cegas para um realidade irreal e exasperante. Só o que vejo é o nada que tenho a minha frente. Sem montanhas. Sem velas. Sem mar virando a encosta. Sem pássaros no céu. Ou pôr-do-sol esperando. Fujo de mim, mesmo me tendo à mão. Perdida sempre entre o tudo que vai e o nada que vem. Toco o vazio que fica grudado à minha pele. Só o fim e nada mais.
Perdi a rota para o País das Maravilhas. Imaginei tudo e no meio do sonho fiquei fora dele no último segundo. Imaginei tudo que quis e tudo me faltou. Faltou a tua mão no final da minha mão para me erguer e quem sabe mostrar o caminho... mesmo ele sendo uma rota de colisão com tudo que eu era. Agora, quando nada tenho, só quero calçar os pés com o universo e arranhar o mundo ...e no fim a unica coisa que arranho é a minha alma já multilada. Não faz diferença eu tenho tantas cicatrizes ... ganhei-as por tentar a todo custo remover blocos de metal perene. Eles nem se moveram.

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